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Desemprego e o abandono dos cavalos: acabar com o passeio de charretes vai trazer mais problemas do que solução 

 Wilson Ribeiro

Com uma iniciativa de extinguir o passeio de charretes em poços, a Prefeitura de Poços de Caldas não resolverá nenhum problema na cidade e ainda criará vários outros: desemprego em dezenas de famílias, condenação ao abandono ou à morte de dezenas de cavalos e a destruição da tradição milenar que é o transporte equestre. Além disso, é óbvio, acabar com outra tradição turística local, que é o passeio a cavalo (os turistas das grandes cidades não querem saber de charretes elétricas ou motorizadas, pois isso praticamente não existe) . Sem falar de outras mazelas que isso vai trazer.

   O transporte por charretes não é um problema em Poços de Caldas. Só existe na modalidade de passageiros, no segmento turístico. Mas vale lembrar que a cidade foi construída nos lombos de cavalos, éguas e jumentos. Vale lembrar também que nos dias de hoje, elas não causam problemas no trânsito de veículos nas ruas da cidade - ao contrário das motocicletas, caminhões, carretas e jamantas. Desafio alguém a mostrar quando, nos últimos 10 anos, tivemos um acidente trágico provocado por uma charrete no perímetro urbano de Poços de Caldas! E com motocicleta? Será que teve algum neste período?

   As charretes não prejudicam o trânsito, pois o número delas é limitado e fica restrita a um pequeno percurso do circuito turístico local. Mais especificamente à Av. João Pinheiro / Parque Municipal.

   O passeio destas charretes é o ganha pão de dezenas de famílias e um grande número de animais só sobrevive graças a eles. Se o prefeito Sérgio decretar o fim de tais passeios, também será o fim dos empregos destas pessoas e, certamente, o fim da vida destes animais. Quem irá comprar a ração ou alugar um pasto para eles se alimentarem? As vacinas, remédios e cuidados veterinários? Ou vocês imaginam que estes animais sejam estátuas de pedra ou bonequinhos de plástico que não precisam de alimentação que podem simplesmente serem abandonados num galpão? Vocês sabem quanto custa um saco de 50 quilos de ração balanceada?

   Ou seja, as pessoas ingênuas que querem livrar os cavalos da “judiação e maus tratos” vão condená-los à morte ou ao abandono. Tal como ocorreu com os jegues no nordeste do Brasil, que foram trocados pelas motos e jogados à própria sorte. Lembre-se que os inocentes não devem pagar pelos culpados - mesmo sendo muito pouco os charretistas (ou nenhum) que maltratam seus animais. Afinal, eles são seus companheiros de trabalho no sustento das suas famílias. 

   Quanto ao emprego, não vai ser fácil conseguir outra colocação para uma pessoa que passou a sua vida inteira dedicada a este tipo de trabalho. Ainda mais nessa crise econômica que já se arrasta por vários anos e empobreceu a população brasileira mais simples (os ricos, of course, ficaram mais ricos). Muitos não terão dinheiro para comprar tais charretes elétricas.

   O prefeito não precisa exterminar uma atividade para criar outra. Ele pode manter os passeios de charretes a cavalo e criar o passeio em charretes eletrificadas. Juntar o passado com o futuro. Manteria os atuais empregos e ainda criaria mais alguns dentro da atividade turística sulfurosa.

   Extinguir simples e puramente o passeio a cavalo é um verdadeiro presente de grego - o cavalo de tróia que não vai resolver nenhum problema e vai, isto sim, criar vários outros. Em nada vai ajudar no progresso da cidade ao matar esta tradição centenária.

   Ao votar a proposta apresentada pela Prefeitura, cada vereador deve refletir muito bem sobre a decisão que tomarão. Se colocar o dedo na tecla sim, estarão condenando à morte esta atividade econômica e esta tradição (que apesar de pequena, geram empregos e renda para a economia local). Além do desemprego, abandono de cavalos, etc. Se apertarem o não, poderão dizer ao Executivo que existem opções melhores para o futuro da atividade turística em poços de Caldas.